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Cometa Wirtanen poderá ser observado a olho nu no domingo

Tecnologia 15/12/2018 às 12:04

Astro se aproxima de seu periélio e alcançará seu ponto mais próximo ao Sol em 16 de dezembro, o dia em que mais brilhará



Um cometa passa próximo da Terra. 

Os que da Terra observam os cometascruzando o céu noturno podem sentir emoção e assombro, e até uma sensação de que um desastre se aproxima. No passado, as pessoas debatiam sobre o que eram os cometas: um fenômeno atmosférico, um fogo no céu e uma estrela com uma cauda no formato de vassoura.

Nesse mês teremos a oportunidade de ver qual descrição visual é melhor, porque o cometa 46P/Wirtanen deve aparecer em meados de dezembro: será perfeitamente visível.

Análise de um cometa

Graças ao estudo que Edmond Halley fez no século XVII do que se conhece como o cometa Halley, os astrônomos descobriram que os cometas estão dentro de nosso sistema solar. Têm órbitas muito elípticas e longas ao redor do Sol, que podem chegar muito além de Plutão. Outros se mantêm relativamente próximos.

Quando os cometas estão distantes no sistema solar, não são nada de especial. Frequentemente são comparados com bolas de neve sujas. Mas ao contrário de um asteroide rochoso, um cometa também tem gases congelados voláteis, como o metano, o monóxido de carbono, o dióxido de carbono e o amoníaco junto com seus núcleos de rocha, gelo e pó.

À medida que esse astro se aproxima do Sol, o calor faz com que os elementos voláteis deixem de ser sólidos e se transformem em gases, em um processo chamado sublimação. Graças à água, ao metano, ao dióxido de carbono e ao amoníaco a cauda se forma, a característica fundamental dos cometas, e também uma nuvem brilhante, chamada cabeleira, ao redor de seu núcleo.


O cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, fotografado pela Missão Rosetta em 19 de setembro de 2014. O objetivo original da Rosetta
era o 46P/Wirtanen, mas a NASA perdeu o prazo para lançá-la a tempo.

Na verdade, os cometas têm duas caudas diferentes: uma cauda de pó e outra de íons e gás. O vento solar e a pressão da radiação afastam as caudas do Sol. A luz ultravioleta ioniza parte do material da cauda, criando um gás carregado que interage com o vento solar carregado e acaba se dirigindo diretamente ao lado contrário do Sol. E a cauda de pó não carregada ainda segue a órbita do cometa, o que faz com que seja mais curva.


O cometa Hale-Bopp tem uma cauda de íons azuis e uma cauda curta de pó. 

Quando esse processo ocorre, ele se torna brilhante e se transforma em um grande espetáculo aos observadores. É muito difícil, entretanto, prever o quão brilhante será um cometa, porque nunca se sabe com exatidão como os gases se comportarão. Até medir o brilho é complicado. Ao contrário do brilho de uma estrela, que se concentra em um só ponto a partir de nossa perspectiva na Terra, o brilho de um cometa se dispersa sobre uma área maior.

Uma visita do 46P/Wirtanen

O astrônomo Carl Wirtanen descobriu o cometa que leva seu nome em 1948. Era um especialista caçador de objetos que utilizava fotos do céu noturno para observar esse objeto que se movimenta rapidamente, pelo menos falando do ponto de vista astronômico.

A órbita do cometa 46P/Wirtanen o mantém bem próximo ao Sol. Seu afélio, o ponto mais distante do Sol, está a aproximadamente 5,1 unidades astronômicas (UA), que é um pouco maior do que a órbita de Júpiter. Seu periélio, o ponto em que está mais próximo ao Sol, está a aproximadamente 1 UA, mais ou menos a distância da Terra ao Sol. Leva 5,4 anos para percorrer essa trajetória, o que significa que volta a ser visível com uma frequência bem maior em comparação a outros cometas famosos.

Nesse momento ele se aproxima de seu periélio. Alcançará seu ponto mais próximo ao Sol em 16 de dezembro, o dia em que mais brilhará.

O 46P/Wirtanen é um cometa especialmente ativo - chamado cometa hiperativo - e costuma brilhar mais do que outros cometas de tamanho parecido. Isso o transforma em um bom cometa à observação. As previsões afirmam que ele terá um brilho de até magnitude 3, um pouco mais brilhante do que a Megrez, a estrela de menor brilho da constelação do Carro. Algumas previsões, entretanto, dizem que brilhará a uma magnitude de somente 7,6, o que fará com que seja impossível vê-lo a olho nu. O objeto menos brilhante visível a olho nu é de magnitude 6, em condições de observação perfeitas. O sistema utilizado pelos astrônomos vai ao contrário: quanto menor é o número, mais brilhante é o objeto.

As melhores condições para observar o 46P/Wirtanen é fazê-lo em um céu o mais escuro possível e quando o cometa estiver mais brilhante (16 de dezembro). Estará entre a constelação de Touro e o grupo de estrelas das Plêiades.

Se não puder ser observado a olho nu, binóculos e um telescópio pequeno ajudarão. Hoje seria preciso um telescópio para vê-lo. É possível começar a segui-lo utilizando mapas que mostram sua posição todas as noites. Sua localização no céu também significa que é visível para todos, menos nas latitudes extremas mais meridionais.

A posição do cometa próximo à constelação de Touro faz com que seja ideal para observá-lo toda a noite. Touro fica a leste depois do pôr do sol e se movimenta em direção ao oeste durante a noite. Vamos torcer para que o céu esteja limpo para observá-lo! Depois você mesmo poderá dizer se esse cometa é um bom ou um mau presságio para 2019.

The Conversation

Shannon Schmoll é diretora do Abrams Planetarium, Departamento de Física e Astronomia, Universidade de Michigan State.

Cláusula de Divulgação. Shannon Schmoll não recebe salário, não faz trabalhos de consultoria, não possui ações e não recebe financiamento de nenhuma empresa e organização que possa obter benefícios com esse artigo, e declarou não ter vínculos relevantes além do cargo acadêmico citado.

Esse artigo foi publicado originalmente em inglês no site The Conversation.

Fonte: EL País

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