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Cientistas chineses esperam obter "grandes descobertas" no lado oculto da Lua

Tecnologia 05/01/2019 às 20:50

Os cientistas chineses se mostram otimistas após o sucesso do primeiro pouso da história no lado oculto da Lua, realizado ontem pela sonda Chang'e 4, e esperam "grandes descobertas", afirma nesta sexta-feira a agência de notícias estatal "Xinhua".



EFE/CNSA

"O lado oculto da Lua tem caraterísticas muito especiais e nunca foi explorado presencialmente, portanto a Chang'e 4 pode nos trazer grandes descobertas", explicou o diretor do departamento de exploração lunar e do espaço sideral da Academia Chinesa de Ciências (CAS), Zou Yongliao.

"Podemos detectar informações profundamente escondidas na Lua. Acredito que haverá descobertas científicas surpreendentes", acrescentou.

O especialista explicou que existem grandes diferenças entre ambos os lados da Lua. Por exemplo, 60% do lado visível é coberto por mares de basalto, enquanto a maior parte do lado oculto é composta por áreas montanhosas de anortosito - 19 dos 22 mares lunares se encontram na região que pode ser vista da Terra.

Além disso, os cientistas tentarão esclarecer outras questões, como por que a crosta lunar é muito mais grossa no lado oculto.

"As pedras do lado oculto são mais antigas. A análise de sua composição pode nos ajudar a entender melhor a evolução da Lua", apontou Zou.

Esta missão pioneira pode ajudar a entender o passado comum da Terra e da Lua, como afirma o pesquisador do departamento de Geologia e Geofísica da CAS Lin Yangting, que afirma que a Lua pode proporcionar "conhecimentos sobre a história originária da Terra".

Outros objetivos são tentar investigar as razões pelas quais aconteceu um enorme bombardeio de asteroides há 3,9 bilhões de anos e analisar as radiações cósmicas e a interação entre o vento solar e a superfície lunar.

Estes dois últimos fatores são cruciais para uma possível missão tripulada ao satélite natural da Terra, já que podem ser prejudiciais aos humanos.

A sonda não só conta com instrumentos chineses, mas também de países como Suécia, Alemanha e Holanda, com os quais os cientistas querem detectar sinais fracos emitidos por corpos celestes distantes no espaço sideral, já que a massa da Lua absorveria as interferências das ondas emitidas da Terra.

Se este objetivo for alcançado, os especialistas podem contar com novos dados sobre a origem e a evolução das estrelas e das galáxias.

A Chang'e 4 é composta por um módulo de pouso e um veículo explorador, que foi batizado como Yutu 2 (na mitologia chinesa, "Yutu" significa "coelho de jade", animal de estimação de Chang'e, uma deusa que vive na lua).

Em comunicado, a Administração Nacional do Espaço da China (ANEC) desejou que o Yutu 2 "possa realizar suas explorações sem medo e ter uma viagem mais estável, ampla e longa".

O veículo conta com uma câmera panorâmica, um espectrômetro de infravermelhos e um radar, ferramentas com as quais tentará obter imagens da superfície lunar e detectar sua estrutura e composição.

A Chang'e 4 demorou pouco menos de um mês para chegar a seu destino: foi lançada no dia 8 de dezembro, entrando na órbita lunar quatro dias depois e efetuando seu pouso ontem às 10h26 (horário da China, 0h26 de Brasília).

O programa Chang'e começou com o lançamento de uma primeira sonda em 2007, e desde então outros quatro dispositivos foram levados ao satélite natural da Terra.

O objetivo final deste programa é uma missão tripulada à Lua, ainda sem data marcada para acontecer, embora especialistas indiquem que será provavelmente em 2036.

Fonte: EFE

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