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Cópias - De volta à vida

Cinema 24/04/2019 às 08:53

Depois de perder toda a família num acidente de carro, um cientista descobre uma maneira de, com ajuda de um colega, cloná-los.


É preciso dar crédito a quem merece. No caso de Cópias – De volta à vida é a Keanu Reeves e sua enorme capacidade de dizer as falas mais ridículas sem perder a seriedade e sua incomensurável capacidade de escolher filmes ruins. O longa de Jeffrey Nachmanoff é a prova do feito duplo do ator. Talvez seja possível esboçar uma teoria para explicar isso: Reeves aceita fazer filmes ruins, assim seu, digamos, método de atuação passa batido diante de tantos problemas mais evidentes. Ou pode ser que seja apenas azar mesmo.
 
Reeves é o cientista William Foster, envolvido num projeto de transmitir para um robô a mente de pessoas que acabaram de morrer. A primeira cena mostra o intento fracassando, mas ele não irá desistir, especialmente depois que sua família inteira morre num acidente de carro. Ao contrário de qualquer pessoa normal, que entraria em estado de choque ao ver todos os familiares mortos no carro, o protagonista tem o sangue frio de ligar para um colega de trabalho, pedindo sua ajuda para clonar os entes queridos e transmitir, depois, as memórias deles para os clones.
 
Foster e seu colega, Ed (Thomas Middleditch), literalmente, montam um laboratório de clonagem no porão da casa do protagonista em algumas horas. Não demora muito para instalarem o equipamento que “pegarem emprestado” do trabalho e produzir clones, que levam exatos 17 dias para ficarem prontos. Antes disso, porém, ele precisa tomar uma decisão, pois não há equipamentos suficientes para produzir quatro novos humanos.
 
Se até aqui tudo parece meio sem pé nem cabeça, pelo menos é divertido, no roteiro assinado por Chad St. John, que pede um nível absurdo de suspensão da descrença de seu público. A priori, isso não é (ou não deveria ser) um problema numa obra de ficção – especialmente ficção científica – mas Cópias exige demais de seu público nesse quesito. Crédito novamente a quem merece: a primeira a parte do filme não é de todo ruim – embora ele seja, tecnicamente, bastante tosco de ponta a ponta. Enquanto William e Ed recriam a mulher (Alice Eve) e os filhos do cientista, há uma certa curiosidade em ver até onde isso vai chegar.
 
Infelizmente, não vai muito longe, pois quando a família volta à vida, uma trama de perseguição e corporação do mal vem à tona, e o filme torna-se mais tolo e previsível do que tem direito de ser. As atuações mecânicas – excetuando Reeves, é claro – sugerem que as atrizes e atores estão em sintonia com o assunto do longa, que, ao fim, mais parece uma adaptação ruim de um livro ruim que Michael Crichton nunca escreveu. 

Alysson Oliveira

Fonte: Cineweb

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