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Cemitério maldito

Cinema 15/05/2019 às 19:00

Uma família muda para uma região longe dos grandes centros urbanos em busca de uma vida mais tranquila.


Porém, descobrem, ao fundo de sua propriedade, um misterioso cemitério de animais.

Das centenas de adaptações de obras de Stephen King, o Cemitério maldito original, de 1989, talvez seja uma das mais divisivas. Obviamente, ninguém a chama de obra-prima, mas há quem a defenda e quem a denigra – praticamente a mesma quantidade de pessoas de ambos os lados. Ao contrário da primeira parte de It: A coisa – universalmente aclamado – ou A torre negra – universalmente achincalhado –, só para ficar nos mais recentes, ambos de 2017. Esta nova versão possivelmente terá o mesmo destino do predecessor.
 
O que o filme, dirigido pela dupla Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, e roteirizado por Matt Greenberg e Jeff Buhler, tem de melhor são a premissa e o clima, que já estão no romance de King. Uma família bem urbana se muda para uma pequena cidade do Maine em busca de “desacelerar”. No quintal da extensa propriedade há uma floresta, e nela um cemitério, ou, seguindo a grafia original na placa feita por crianças, “semitério” de animais. Indo um pouco além desse lugar, há um outro local, de onde os mortos voltam à vida quando enterrados lá.
 
O médico Louis (Jason Clarke) descobre isso da pior maneira possível, quando o gatinho de sua filha, Church, volta à vida, como o bichano-do-inferno, depois de ser atropelado e enterrado nesse lugar, com a ajuda do vizinho idoso, Jud (John Lithgow). O animal se torna uma criatura de terror, sem a docilidade que tinha, arranhando a todos e atacando sua própria dona, a menina Ellie (Jeté Laurence), a quem os pais não contaram que tinha sido atropelado.
 
O romance O cemitério é, para alguns, o livro mais assustador de King – ele mesmo admitiu num prefácio da reedição de alguns anos atrás que é a sua obra que mais lhe dá medo, e que cogitou nem a publicar. Pode ser, claro, mero truque de publicidade, mas a verdade é que a premissa já assusta: aquilo que você mais deseja pode ser aquilo que vai acabar com você quando se materializar. A versão de 30 anos atrás, dirigida por Mary Lambert, pode não ter o mesmo orçamento polpudo que esta, mas era assustadora. Os atores eram ruins? Eram. Os efeitos toscos? Não dá para dizer que não. Mas o filme ia ao cerne da questão. A vida é cruel, e a morte, também.
 
Aqui, há transformações bastantes drásticas que modificam o andamento da trama, caminhando para um final que pode causar risos, mas não de tensão. De deboche mesmo. Tudo é tão esquemático, pensando em fazer apenas a trama andar, que é difícil se solidarizar com Louis, sua mulher, Rachel (Amy Seimetz), Ellie e o pequeno Gage (os gêmeos Lucas e Hugo Lavoie) – ou mesmo temer pela vida do quarteto. A trama é armada de uma maneira que pouco importa quem vai morrer, mas que morra logo, e volte à vida mais depressa ainda.
 
Matam-se aqui aqueles pequenos detalhes que fazem da obra de King o que ela é, e o que a torna tão assustadora. Aqueles pequenos elementos que nos fazem conectar com os personagens, encontrando neles nossas aflições e maiores medos. Louis e a família são meras marionetes, cuja função é morrer e ressuscitar. Com tanto livro do escritor para ser adaptado – ou filme ruim, refeito – porque logo esse interessou à dupla Kölsch e Widmyer? Era melhor nem ter trazido O Cemitério maldito de volta à vida mesmo. 

Alysson Oliveira

Fonte: Cineweb

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