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Fora de série

Cinema 16/06/2019 às 07:00

Amy e Molly sempre foram as melhores alunas da escola e fizeram tudo certo para conseguirem serem aprovadas nas melhores universidades dos EUA.


Agora que conseguiram, descobriram que os colegas que viviam apenas em festas, também psassaram. Dispostas a não perder mais tempo, as duas decidem passar a última noite antes da universidade só em festas.

Comédia de adolescentes enfrentando a passagem para a vida adulta – simbolizada pela entrada na universidade e a saída da casa dos pais – tem aos montes todos os anos, fazendo parecer que todas as possibilidades já foram pensadas. Mas Fora de série, estreia na direção da atriz Olivia Wilde, sabe disso e, por esta razão, não pretende reinventar nada, mas jogar com aquilo que já existe e jogar os clichêsa seu favor, subvertendo alguns elementos. O resultado é uma das melhores – senão a melhor – comédia do ano.
 
As protagonistas são Molly (Beanie Feldstein) e Amy (Kaitlyn Dever), que sempre fizeram tudo exatamente como se esperava que fizessem, tudo certinho para garantir uma vaga nas universidades mais prestigiosas dos EUA. Ao fazer isso, fecharam-se no seu próprio mundo, isolando-se completamente dos bagunceiros idiotas da escola – daquele tipo que enche preservativo com água e atira nas pessoas. Deu resultado e elas entraram nas escolas dos seus sonhos.Mas enquanto estavam preocupadas só com isso, esqueceram de ser adolescentes e, pior, as pessoas que elas julgavam completamente estúpidas, porque apenas se divertiam, também entraram nas mesmas universidades.
 
Ou seja, elas percebem que podiam ter aproveitado a vida e estudado ao mesmo tempo. Quando Molly descobre – numa das primeiras grandes cenas do filme –, ela diz a uma garota revoltada: “Mas vocês nem ligavam para a escola!”. E a outra responde: “Não, apenas não ligávamos somente para a escola.” Por isso, na noite antes da formatura do ensino médio, Molly e Amy resolvem que vão aproveitar tudo o que perderam nos últimos anos – o que inclui entrar em festas sem convite, usar drogas e ir para a cadeia.
 
O roteiro, assinado por Sarah Haskins e Katie Silberman (ambas formadas em Harvard), ficou anos rodando de mão em mão em Hollywood. Quase chegou a ser filmado (ora por Susanna Fogel, e, ora por Emily Halpern, que também são creditadas como roteiristas), mas só no ano passado, com Wilder, foi finalmente filmado. A diretora estreante traz um frescor a um gênero saturado pela testosterona. Ao invés da velha história de garotos brancos desesperados para perder a virgindade, temos aqui duas meninas desesperadas para descobrir o mundo. Ao invés de colocar os hormônios juvenis no centro – sabemos que Molly e Amy vão encontrar interesses amorosos melhores no futuro –, o filme se interessa pelas provações que essa amizade deverá passar ao longo de uma noite. E não são poucos os testes.
 
Molly e Amy se julgam superiores aos todos os outros, no fundo. E o filme é sobre isso também, como duas pessoas que sabem tudo (ou creem saber) ainda têm muito a aprender. Mas Wilde e as roteiristas não estão interessadas em dar lições de vida às personagens e ao público, mas suspender as certezas e mostrar como o mundo lá fora é diferente daquilo que se espera ou planeja. Há uma clara sensibilidade feminista (uma palavra e um rótulo de dois gumes) no sentido de colocar as personagens femininas no topo. Fora de série é herdeiro de As Patricinhas de Beverly Hills e Meninas malvadas.
 
Tudo isso, no entanto, não funcionaria se não tivesse um elenco juvenil muito talentoso dando profundidade a todos personagens, por menos que eles ou elas sejam dentro da trama. Mas, claro, Fora de série é de Feldstein (Lady Bird) e Dever (Querido menino), que demonstram uma química perfeita em seus contrapontos – Molly é mais hiperativa, enquanto Amy é tímida, mesmo tendo saído do armário há alguns anos, nunca conseguiu flertar com o objeto do seu desejo (Victoria Ruesga). Esse não é o primeiro filme das atrizes, mas, certamente, aqui nascem duas estrelas e uma diretora a se prestar atenção. A inventividade de Wilde é empolgante em diversos momentos – como numa cena em que bonecas Barbie são protagonistas de um momento de empoderamento. 

Alysson Oliveira

Fonte: Cineweb

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