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Como a nave espacial mais veterana cruzou a fronteira solar

Tecnologia 04/11/2019 às 23:14

'Voyager 2', que foi lançada há 42 anos, chegou no ano passado ao limite da bolha magnética que rodeia o sistema solar. Agora são divulgados os resultados de suas observações



Recriação da entrada das Voyager 1 e 2 no meio interestelar.NASA/JPL

A nave Voyager 2 está viajando pelo espaço interestelar há um ano. Em 5 de novembro de 2018, após 41 anos de viagem, quando estava a uma distância de 18 bilhões de quilômetros da Terra, seus sensores registraram uma espécie de salto. A sonda passou de estar envolvida pelo plasma mais quente e tênue gerado pelo vento solar para o mais frio e denso que banha o que está além. Embora o marco já tenha sido anunciado na época, nesta segunda-feira a revista Nature Astronomy publica uma série de artigos que descrevem em detalhes essa etapa histórica.

Em agosto de 2012, a Voyager 1 foi a primeira nave a passar pela heliosfera, uma bolha magnética que envolve o sistema solar, em sua jornada pela Via Láctea. Suas medidas não foram tão precisas quanto as oferecidas agora por sua irmã gêmea porque seu detector de plasma tinha ficado avariado em 1980. Os artigos publicados pela revista mostram que, antes de atingir o limite da heliosfera, há uma região de fronteira maior que a distância que separa a Terra do Sol. Depois dessa área em que o plasma diminui, esquenta e é mais denso, surge uma última fronteira mais fina, que a nave superou em menos de um dia, na qual o campo magnético é mais intenso. Então, começa o meio interestelar.

"Do ponto de vista histórico, a velha ideia de que o vento solar se extinguiria à medida que você entra no espaço interestelar não é verdadeira", diz Don Gurnett, professor da Universidade de Iowa (EUA) e coautor de um dos os estudos publicados na Nature Astronomy. “Com a Voyager 2, e antes com a Voyager 1, vimos que há uma fronteira clara. É impressionante como os fluidos, incluindo os plasmas, formam esses limites bem definidos”, acrescenta.

A Voyager 1 deixou a heliosfera a uma distância de 122 unidades astronômicas do Sol (uma unidade astronômica equivale à distância que separa o Sol da Terra) e a Voyager 2, lançada alguns dias antes, e que é a sonda ativa mais veterana da exploração espacial, até 119 unidades. Apesar de serem as sondas que se encontram mais distantes da Terra, e que nenhuma outra chegará lá em pelo menos 25 anos, não se pode dizer que nenhuma deles tenha deixado o sistema solar. A NASA lembrou certa vez o quanto duas missões mais longevas estão distantes de alcançar esse marco. Essa fronteira, marcada pela influência gravitacional de nossa estrela, está localizada na borda externa da Nuvem de Oort, uma região gigantesca de objetos gelados que começa a cerca de 1.000 unidades astronômicas do Sol e se estende até as 100.000. As Voyager precisarão de mais 300 anos somente para chegar lá e, a essa altura, seu combustível nuclear estará esgotado há séculos.

Agora, os cientistas tentarão extrair o máximo de informações que as Voyager 1 e 2 continuam a enviar em sua viagem pelo meio interestelar. Essas duas missões, que transportam a bordo informações da civilização terrestre, para o caso de algum dia encontrarem alienígenas inteligentes, são as únicas que coletaram informações no terreno para reconstruir a estrutura da fronteira solar. Essas informações serão complementadas com observações de outras, como a sonda IBEX (Explorador da Fronteira Interstellar, na sigla em inglês), que estuda a região a partir da órbita da Terra, e a IMAP (Sonda de Aceleração e Cartografia Interestelar), cujo lançamento está previsto para 2024.

DANIEL MEDIAVILLA

Fonte: EL PAÍS

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